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Marcio Dal Rio

SOBRE MIM

Marcio Dal Rio nasceu em Mococa-SP, em 1973, e vive em São Paulo desde 1991. Escreve neste Bloganvile desde 2006, cidade virtual da qual é prefeito. Participou das coletâneas Palavras de Poetas 3 e 4 (Editora Physis, 1994 e 1995), e do coletivo Transitivos (Off Produções Culturais 2011) com apoio do PROAC-SP. Em 2017, ganhou o Premio Maraã de Poesia, promovido pela Editora Reformatório com apoio da Academia Paulista de Letras, por meio do qual teve seu primeiro livro solo publicado, “Balada do Crisântemo Fincado no Peito” (Editora Reformatório)

Bloganvile

Mamita

Eu poderia ter seu filho que não existe, Mamita
Embalá-lo num berço de possibilidades futuras
Tê-lo no colo sob seu olhar de rascunho
O filho é mais que o fruto. É reinício de vida, revolução nas paredes emboloradas, planta que se coloca na frente do jardim desalmado de terras escuras,
Embalar o Vesúvio. A lava toma a casa enche tudo de pontos coloridos, entorna de lúdico, leva peças que não se encaixam, e trombetas de som surdo,
Brinca com a vida, Mamita, crê em teus planos de meninos que crescerão como homens a raspar a cabeça no teto. Essa lágrima que emperra, o canto que se cala, não há choro, não há berro, não há ninho, não há novelo, não há bichano.
São essas paredes tristes que me contam, cada porta-retratos sem rosto, cada possibilidade que bate na porta de vidro, como o vento que arrasta,
A felicidade que arrasta, gela, não há nuvem, esboço de menino, seus cambitos magros e seus cabelos revoltos, arrastados com o vento,
Mamita.

  • Escrito originalmente para o blogue da Editora Reformatório

Não haverá

Não haverá margem para homens coesos até que morram numa barricada de ignorância

Até que a inteligência seja saqueada

Até que a estúpida burrice devore

Até que não sobre alma lúcida

Até que a massa cinzenta seque

Até que corpos apodreçam

Até que o país devaste

Não, não haverá,

Não haverá sinal de vida inteligente nesta terra de ódio nem talvez em mundo algum

  • Feito em especial para a revista Literatura & Fechadura

Um sentimento

Um acúmulo de vazio tomou-lhe de assalto enquanto atravessava o viaduto

O vazio nas sobras de concreto, nos dormentes ao relento, na civilização fendida

O vazio no campo envelhecido de pelos brancos que saltavam a puída regata

O vazio nos carros estáticos sem qualquer alma em desordenada condução

O vazio

  • Feito em especial para a Revista Literatura & Fechadura