hoje eu o vi de novo. eu estava dirigindo, ele passou por mim com toda sua euforia de vida, vestindo roupa preta, imitando ao mesmo tempo Pablo Neruda e Bono, ele tinha os cabelos longos, bebia uísque, falava coisas desconcertantes, ria de tudo, eu o vi de novo, tão menino, e com tanta certeza de que o mundo estava em sua mão, vestindo roupa preta, alguns sobretudos, ele passava pela calçada roubando cigarros de moças indefesas, ele dirigia carros velhos com portas que abriam sozinhas a cada curva, ele ouvia rock irlandês, se vestida de preto como os poetas de Valparaiso, eu o vi passar, magro e cheio de vida,

o jovem que um dia habitou em mim,