Mamita

Eu poderia ter seu filho que não existe, Mamita
Embalá-lo num berço de possibilidades futuras
Tê-lo no colo sob seu olhar de rascunho
O filho é mais que o fruto. É reinício de vida, revolução nas paredes emboloradas, planta que se coloca na frente do jardim desalmado de terras escuras,
Embalar o Vesúvio. A lava toma a casa enche tudo de pontos coloridos, entorna de lúdico, leva peças que não se encaixam, e trombetas de som surdo,
Brinca com a vida, Mamita, crê em teus planos de meninos que crescerão como homens a raspar a cabeça no teto. Essa lágrima que emperra, o canto que se cala, não há choro, não há berro, não há ninho, não há novelo, não há bichano.
São essas paredes tristes que me contam, cada porta-retratos sem rosto, cada possibilidade que bate na porta de vidro, como o vento que arrasta,
A felicidade que arrasta, gela, não há nuvem, esboço de menino, seus cambitos magros e seus cabelos revoltos, arrastados com o vento,
Mamita.

  • Escrito originalmente para o blogue da Editora Reformatório