BLOGANVILE

Toca pra mim. Que eu toco pra você. Somos um só tango. Passo lá, passo cá. Um desfalecer de mão em mão, pés que flutuam no cosmo.
#masturbação?

00h16

Amor a gente pode repetir naquele domingo. Claro, estou sempre aqui contigo. não largo mão.
#masturbação?

00h16

Sambava no meio fio
Na roda do monte carlo
Um riso solto, um abraço amigo, um galgar ebrio, uma confidłncia drummondiana
Quando descuidou e um raio lhe partiu ao meio
Sangue que escorre na ciclovia
não são as garrafas quebradas do leiteiro.
não é o leite matinal que se mistura com a camada espessa.
são fios tingidos de espuma e uma alegria v? que se esparramam
O samba partido e uma dor alta que reverberam como uma súplica, uma triste canção de final de sábado.

00h15

Ele começou a seguir uma moça portuguesa muito bonita.
Certo dia, curtiu um belo retrato de Anabela.
Pouco tempo, e recebeu uma mensagem interna.
Gelou quando viu que a autora era Anabela.

-Gostaste-me?
– Muito
(não hesitou em responder, embora trłmulo)
– Gostaria de me conhecer?
– Claro que sim
-Viria a Portugal me ver?
(ele hesitou, não podia ser verdade, mas mesmo assim respondeu)
– Quando quiseres
– Quando podes?
– Estou em férias, mas não saí de minha cidade.
– Espere um pouco.
(poucos minutos se passaram e ela voltou)
– Veja o que postarei na sequencia
(e enviou um documento)
(ao abrir ele não pode acreditar)
(e ela escreveu novamente)
-Te espero no aeroporto de Lisboa amanh? ao meio-dia.

18h51

Como eu queria ter dar um mundo maior que dou.
Eu era menino e me encantou a imagem do super-homem que deu a volta anti-horária na terra para evitar a morte da amada.
Eu queria poder acelerar o tempo para te dar mais conquista, mas te manteria intacta, sem o efeito do avançar do tempo.
É minha visão otimista, tudo que quero te dar pode estar no futuro, é trazer este futuro para o presente minha maior missão.
Um mundo maior que dou, é tudo que eu queria te dar.
Sinto fraqueza, mas não desistirei da tarefa, o tempo é sempre tão curto, mas eu só preciso dar voltas na terra para te dar este mundo maior que tudo.
E eu darei.

14h57

O homem de seu corpo não vem?

A luz apagada. não existe mais corpo. Tudo é fluido. Tudo é música. não existe mais corpo. Tronco que desce a correnteza, membros que enroscam na margem, ventre, semeia o vento, os pés na areia, um dançar contínuo, de dois corpos sem rumo, membros que se misturam, sexos que se fundem, a música, o gozo fluído, derrama pelo corpo, tronco sobre tronco, o galgar da carruagem, seios que se debruçam, até que a escurid?o dissipe e releve na manh? duas harpas cansadas em desarranjo.

15h08

Laços de ternura

Ivan fala pelos anéis, tem os olhos cândidos, os ombros revelados pela regata, tem o falar miúdo, sobrancelhas que se amuam, conta que não teria ternura por mim.

Cíntia banha-se do frescor da manh?, tem o frescor no corpo, escapa pelas minhas mãos, a beleza escorregadia, o leite dos olhos, os cílios rompantes, me diz com doçura:

– Você pode mais, poeta.

Ternura, palavra difícil.

Eu tenho ternura por Ivan e Cíntia, nessa manh? arrebentada, o jardim parece entrar na sala, a luminosidade almoça nossas vistas, a ternura, a entrega, teríamos um futuro tão terno, se não nos entregássemos à intolerância, estamos os trłs estarrecidos, a ternura sumiu, talvez do que tenha ficado terno, só mesmo a puída veste do mendigo

que evapora na Paulista.

15h07

O monstro

Recortei meu nome e deu um monstro

Um lagarto terrível que solta flores pela boca

Devora vagalumas na noite fria enquanto a manh? não vem

O monstro se movimenta em meio a pilhas de livros, não tem mais jornais na sala,

Seu nome está no tablete de onde a notícia foge, a todo momento,

O monstro foge da monstruosidade que se instaura na rua

Ele não tolera intolerância por isso cospe flores pela boca

O monstro gosta de dizer coisas líricas na lâmina da tarde que nunca termina

O monstro não destrói coisas apenas a própria geladeira, já comeu uma Prosdócimo, uma Consul e uma Eletrolux.

O monstro não gosta de badalação, foge dos outros répteis a qualquer mostra de lagartaria.

Todo o domingo vejo o monstro dormindo na rede de tranças verdes com o mundo na barriga.

15h06

No meio do caminho (sei que Evandro não vai gostar)

Acorda bem cedo, Vá, homem, carrega consigo este cadáver, Calce os tłnis de 99 reais comprados no feirão, Vista os shorts puídos, a camiseta das eleições de 1994, Você precisa encarar a manh?, Diga 98 quilos, 98 quilos, 98 quilos, No meio do caminho encontrará o poeta de chapéu e dirá bom dia, No meio do caminho verá sua imagem de menino vestido de super-homem, No meio do caminho encontrará o diabo no redemoinho (viver é muito perigoso) No meio do caminho, extrato da conta corrente, Diga 6 reais e 33, 6 reais e 33, 6 reais e 33, No meio do caminho voará como colibri, No meio do caminho pegará um ônibus para o Piqueri, No meio do caminho, um monólito, No meio do caminho, o androide ferido, No meio do caminho, uma negra chamada Selena, No meio do caminho, o conserto que não vem, No meio do caminho, carta suicida, No meio do caminho a lua que se quebra como um velho desejo, No meio do caminho, o Sol que já foi e não trará sequer juventude, não trará, não trará, não trará sequer.

15h06

Deus não cabe neste copo de ódio

não estanca a ferida,

Espalha o horror

Colhe flores mortas

No formato de ideologia.

Deus está onipresente

Neste shopping desabitado

Cada loja aceita sua fé

Em débito e crédito

Está em cartaz no cinema

Em terceira dimensão

Deus espalhou mais que gripe

Contagiou incautos

Falsos profetas de Nazaré

Virou remédio de farmácia popular

Virou um tipo de antidepressivo

Deus não está no comando.

Faz-se de acompanhante

Em seu leito de morte.

Depois parte sem receio

Vai reinar em outra freguesia

12h57